Absolute Zero - Crashing Icons (pré-master Mix) - Independente - 2003

 

O CD com o pre-mix do próximo trabalho do Absolute Zero chegou aqui na RPB e ficou um pouco paradinha no canto do armário. Confesso que a sua audição de hoje foi bastante promissora. A banda, mais exploradora do que nunca, apresenta um verdadeiro trabalho de RIO. Totalmente anti-sinfônico, este talvez seja o ápice da obra desta banda americana. Não teria espaço no meu armário de CDs, mas sei reconhecer o valor que este disco representará. Destaque para Pip Pyle que já trabalhou com Delivery, Gong, Hatfield and the North, National Health, In Cahoots e Equip'Out. (Cesar Lanzarini)

O Absolute Zero é um trio formado nos EUA por músicos de grande gabarito: Enrique Jardines (baixista, mestre em composição pelo Conservatory at Brooklyn College), Aislinn Quinn (tecladista, mestre em composição pelo California Institute for the Arts) e Paul Rogers (baterista). No final dos anos 70, Enrique mudou-se para a Inglaterra, onde conheceu e tocou com músicos da cena Canterbury, tais como Dave Stewart, Phil Miller e Alan Gowen, entre outros. Este último ficou encantado com o estilo vigoroso de Enrique (lembrando Guy Segers, do Univers Zero, e até mesmo Jannick Top, do Magma) e tinha projetos de gravar com ele, vindo entretanto a adoecer e a falecer antes de conseguirem levá-los a cabo. Voltando para os EUA, formou no final dos anos 80 o Absolute Zero, por onde inúmeros músicos passaram até a gravação de um CDEP, "Alive in the Basement", lançado em 1999. Logo em seguida Paul saiu da banda, e para preencher sua lacuna Enrique chamou seu colega Pip Pyle (ex-Hatfield and the North, National Health, In Cahoots, Gong), que prontamente aceitou o convite. O novo CD "Crashing Icons", gravado entre 1999 e 2002, é composto por quatro longas faixas, e além do trio citado, conta com a participação de Keith Hedger (trumpete) e Jim Stewart (percussão). Aislinn Quinn, além de ser uma excelente tecladista, é dona de uma linda voz, que nos remete a uma mistura de Barbara Gaskin, Suzane Lewis e Dagmar Krause, muitas vezes processada por vocoder e outros aparatos eletrônicos. O som da banda é naturalmente influenciado por National Health e Soft Machine, com alguns toques de R.I.O. e de improvisação livre, e o resultado final é impressionante. O disco é aberto pela faixa "Barred Cross", onde Pip desfia uma de suas execuções mais energéticas já ouvidas. A composição lembra algo como um Henry Cow/National Health power trio, com momentos líricos muito bonitos, marcados pelos vocais de Aislinn, que não fica atrás dos rapazes em energia e criatividade nos solos de teclado. A faixa seguinte ("Further On") se inicia com uma sequência muito interessante de marimbas sobre um fundo de baixo, seguida pela entrada da bateria e teclados, evoluindo para uma peça vigorosa, com uma admirável interação entre Enrique e Pip. "Stutter Rock" é a terceira composição, um jazz-rock com um solo de trumpete que nos faz lembrar a fase elétrica do Miles Davis dos anos 90, entremeado por quebradeiras de tirar o fôlego. O CD é concluído por "You Said", que se inicia introspectiva, viajante e meio "alucinógena", desenvolvendo-se em seguida para passagens com improvisos intercalados com canções contendo elementos de rock'n'roll, tango e música espanhola. O álbum ainda não foi oficialmente lançado, mas está nas fases finais de produção gráfica - tendo para isso a ajuda de Chris Cutler - e muito em breve estará disponível no mercado (Renato de Moraes).

Músicos:

AISLINN QUINN: voz, teclados e flauta. Graduado como Mestre em Teoria e Composição
ENRIQUE JARDINES: baixo. Graduado pelo Conservatório do Brooklyn College. Mestre em Composição Musical.
PIP PYLE: bateria e percussão

Avaliação:
Composição e músicas - Regular
Produção e gravação - não finalizado
Músicos: Bom
Arte/Encarte: indisponível 

Website: www.absolute-zero.net (com MP3)

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