Jeferson de Araújo Oliveira - As Obras Primas do Rock Progressivo - 2000  - Independente

Já havia ouvido falar desta livro em algumas listas de discussão. Baseado em alguns trechos deste mesmo livro, que foram colocados nestas mesmas listas, fiz alguns comentários. Um belo dia, o amigo Fabio Golfetti mandou o dito cujo. O livro foi lido facilmente (três) vezes em duas semanas.

Vamos aos comentários...

1 - Dentro do universo progressivo literário brasileiro, este livro escolheu um caminho polêmico, mas ao mesmo tempo de muita personalidade: a opinião pessoal de quem escreve.

2 - Em todo o livro, a maior impressão que se fica é que se trata de um ótimo papo levado em uma loja do ramo ou até em um bar. O que há de positivo nisso? Resposta: nada com um bom bate-papo sobre um assunto que nós gostamos, não é? Literariamente, o livro corre o risco de ser lido uma vez e ficar empoeirado na estante.

3 - Jeferson escolheu trinta obras, mas sua opinião colocada no livro já nasce datada. Para ele, o RP tradicional acabou em 1981. Jeferson, se estiver lendo, compre alguns discos do: After Crying, Duty Free Area ou Deux Ex Machina.

4 - As questões colocadas pelo autor no início do livro são muito interessantes, mas na décima eu já estava cansado. O autor fez muito bem em não escrever o livro baseado em 800 perguntas...

5 - Excelentes comentários no assunto Ezequiel Neves sobre o RP. O ponto alto do livro.

6 - Insistentemente (deve ser algum problema pessoal) o autor se refere jocosamente ao Rock Neo-Progressivo (e por tabela à bandas como Pendragon, Marillion, IQ e Solaris). Eu também não morro de amores por algumas delas, mas achar que comentários (de botequim) como "O Trio Los Angeles do neo-progressivo inglês"  - sobre Pendragon, Marillion e IQ - são opiniões sensatas sobre o Neo-Progressivo (e sobre as bandas) já é querer forçar demais a barra. Não vou aquir colocar os motivos que fazem, por exemplo, o Marillion, uma das bandas fundamentais para o RP. Isso todos já sabem. Jeferson incorre no mesmo erro de diversos críticos: O Marillion da fase Fish reflete a adimiração que o vocalista tinha pelo Peter Gabriel. Musicalmente, a banda nada tem de semelhança com o Genesis. Só para lembrar: onde estão as duas guitarras do Marillion? Onde estão os solos de mini-moog do Genesis? Quem usou o mesmo timbre de guitarra do Steve Rothery? So falta falar que foi o Steve Vai... Fish tinha uma influência muito grande das teatralidades feitas pelo Gabriel. E é só isso.

7 - Eu também comprava a ShowBizz (fui assinante). Opinião musical realmente é uma coisa muito complicada. E não é preciso desmerecer as pessoas só porque já leu todos os números (ou porque já leu James Joyce), não é?

8 - O comentário sobre o Peter Hammil foi excelente! 

9 - O autor: "Humberto Gessinger é o Jean Paul Sartre do rock nacional". Jeferson no fundo de sua alma jornalística queria era ser crítico da ShowBizz!

10 - O autor: "Neste capítulo, eu abordei vários assuntos, mas o principal é este: os fãs de Neo-Prog. A grande maioria vive num mundo que não existe mais. Eles precisam parar de ler os seguintes livros: The Hobbit, The Lord of The Rings e The Silmarillion. Estes são os três livros que consagraram o escritor John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973), mas conhecido como J. R. R. Tolkien, ou, simplesmente, Tolkien. OS três livros são excelentes, mas completamente irreais. Não há uma única "cena de sexo" nestes três livros. Eles deveriam ler, pelo menos, a primeira página de Ulisses, de James Joyce.".

Se havia alguma seriedade nas críticas ao Neo-Prog, este trecho do livro a joga no lixo. Eu faço aqui uma pergunta: se as bandas de rock progressivo brasileiras usassem os nomes de todos os personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo e fizessem discos conceituais sobre as obras de Monteiro Lobato, qual seria a sua opinião?

11 - As opiniões sobre as letras das músicas estão muito bem fundamentadas.

12 - O autor: "Se algum dia criarem o certificado ISO-9002 para fãs de prog-rock, eu vou querer o meu." Ok, eu vou querer o ISO-14.000! Essa foi dose...

13 - Sobre a opinião de Marsbeli Krónikak do Solaris, este disco é uma obra-prima por muitos motivos, mas exatamente pelo que você não gosta: por ter algo que não ocorreu nos anos 70, que foram três teclados solando simultâneamente, Nem o Tangerine Dream fez isso.

14 - Jeferson: O After Crying detona no sistema tonal. Procure conhecê-los.

15 - Na música Revolution #9 dos Beatles, apenas uma experiência de Lennon, o que há de mais interessante é a mensagem subliminar... Outra forçacão de barra do autor.

16 - Nota 10 sobre os comentários sobre os colecionadores.

17 - A opinião sobre o Procol Harum está muito parcial...

18 - Nas primeiras páginas, o autor dedica o livro para àqueles que ainda não mergulharam no oceano progressivo. Lendo o livro por completo, tive exatamente a mesma impressão quando fui assistir no cinema o filme Arquivo X: O Filme. Em um dado momento, se você não conhece os personagens da série televisiva, você fica meio perdido. Jeferson começa bem, mas no decorrer do livro, muita coisa só é compreendida por quem já trilha o caminho do RP. Neste ponto, o autor falhou.

19 - Faltou também uma boa revisão (copydesk).

Tirem vocês mesmos as conclusões comprando o livro on-line no site do amigo Fabio Golfetti.

Lanzarini

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