Yang - A Complex Nature - Cuneiform

À frente do Shylock, mítica banda francesa dos anos 1970 que lançou dois LPs pela CBS, e do Philarmonie, nos anos 1990, Frederic L'Epée retorna com mais um novo projeto que segue a mesma linha de estilo das bandas citadas. Agora a banda chama-se Yang. O quarteto executa um rock progressivo com composições estonteantes que mostram passagens complexas de guitarra. Não tão minimalista quanto nos outros projetos, principalmente no Philarmonie, mas basicamente com algumas idéias da antiga banda, o Yang apresenta mais momentos hard e uma orientação mas forte para o rock básico, com solos espontâneos. Só para se ter uma idéia do talento destes músicos, a crítica especializada na época afirmou que o Philarmonie havia suplantado a League of Crafty Guitarists, devido à enorme versatilidade de suas composições bem como uma estruturação composicional mais clássica! (Cesar Lanzarini)

Yang é o novo quarteto liderado pelo guitarrista Frederic L'Epee (Shylock, Philharmonie) e A Complex Nature seu trabalho de estréia. Após o fim da banda Philharmonie em 1998, L'Epee dedicou-se à carreira solo, com trabalhos baseados em composição e improviso, com diversas apresentações, lançamento de seis CDs solos e a participação no GLI (Groupement de Libres Improvisateurs). Em setembro de 2002, L'Epee formou o quarteto Yang que conta com o próprio L'Epee, na guitarra, seu aluno Julien Vecchio, na segunda guitarra, Volodia Brice, na bateria, que participou da última formacão do Philharmonie, e Stephane Bertrand, no baixo. Embora L'Epee não encare Yang como a continuação do Philharmonie, é difícil não notar as similaridades entre a música do Yang e a última fase do Philharmonie (Rage e The Last Word). As composições são energéticas, com estrutura compacta e dominadas pelas guitarras com distorção. As sequências com contrapontos entre as duas guitarras ainda estão presentes, mas agora com mais energia. O CD trás oito faixas, todas compostas por L'Epee, sendo três "baladas" (Compassion, Manchild e Impatience) e cinco faixas mais pesadas. Em Compassion a música começa calma, com apenas uma guitarra que é seguida pelos outros intrumentos, culminando com solo torturante que lembra Fripp na era Red. Manchild começa com tema simpático, com passagens onde as duas guitarras fazem belo contraponto para o desenvolvimento do contrabaixo, até evoluir para uma série de contrapontos rápidos e com muita energia para o grande finale. O ponto alto do CD são as composições mais pesadas, como Les Deux Mondes, Le Masque Rouge e Orgueil, todas apresentando forte influência crimsoniana, onde o contraponto das duas guitarras que marcou o KC dos anos 80 é aqui aproveitado de modo muito energético e vibrante, com o espírito dos anos 70. O destaque do CD fica para a faixa Souterrain, a mais criativa e cheia de energia. Recomendado para quem gosta de King Crimson, de música instrumental inteligente e elaborada para um par de guitarras tocadas por dois guitarristas exímios. (Renato de Moraes)

Músicos:
Stephane Bertrand - baixo
Volodia Brice - bateria
Frederic L'epee - guitarra
Julien Vecchie - guitarra

Da esquerda para a direita: Julien, Volodia, Frédereic e Stéphane

Músicas:
01 - The Two Worlds (8.16)
02 - Subterranean (6.35)
03 - Innocent Seducer (5.46)
04 - Compassion (4.26)
05 - Homme-Enfant (4.41)
06 - Impatience (7.03)
07 - The Red Mask (5.27)
08 - Pride (5.54)

Avaliação:
Composição e músicas - Bom
Produção e gravação -  Bom
Músicos: Bom
Arte/Encarte: Bom

Bandas relacionadas: Shylock, Philarmonie e King Crimson

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